Chefe do Serviço de Obstetrícia do HGF fala sobre os riscos da gripe suína nas grávidas
14 de março de 2012 - 12:30
Grávidas estão em alerta. Com a confirmação do óbito da gestante Ezi Costa Figueiredo, de 27 anos, natural de Fortaleza, residente do bairro Jangurussu, que estava internada há uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), muitas gestantes estão buscando informações para se protegerem dos riscos da Influenza H1N1. Sobre o assunto, nós conversamos com o chefe do Serviço de Obstetrícia do Hospital Geral de Fortaleza, HGF, o médico Francisco Eleutério.
1.Quais são os riscos da gripe suína para a gestante? Esses riscos aumentam nos últimos meses da gestação?
A influenza H1N1 ou gripe suina presente na grávida coloca a vida da mesma em risco . A mortalidade materna é cinco vezes maior que na população geral . Quando a pneumonia aparece como complicação da doença na grávida, o risco de morte chega a 10 % . A gravidez modifica a resposta de toda grávida a agentes externos, daí observar-se infecções das várias origens na gestação. Na maioria das vezes, são infecções banais de pouca repercussão. Nos últimos meses do ciclo gestatório, a influenza promove as maiores complicações.
2. E para o bebê? Quais são são os riscos?
Doenças virais como rubéola e citomegalovírus podem produzir malformações fetais . A influenza até o momento não parece agredir desta forma o concepto. A gripe suína aumenta também as ameaças à vida do feto por vários motivos. Um deles é a febre prolongada da mãe que pode induzir a abortamento, além de alterações morfológicas no concepto, incluindo paralisia cerebral. Pode ainda indiretamente produzir parto prematuro com suas sequelas conhecidas e morte perinatal.
3. Quais são as complicações mais comuns?
A pneumonia viral e a insuficiência respiratória e renal são as grandes causadoras de catástrofes maternas.
4. Como a gestante pode identificar precocemente que tem gripe suína?
Todos aqueles que prestam atenção às gestantes com o obstetras, clínicos, enfermeiros, agentes de saúde devem ser hábeis na identificação precoce da doença: febre, tosse, coriza, tosse seca e dores musculares. Uma sorologia pode ajudar de forma importante no diagnóstico diferencial. Os sinais de agravamento tais como dispneia, cianose e insuficiência respiratória impõem imediato internamento hospitalar.
5. Ela pode ser tratada normalmente com as mesmas drogas prescritas a não gestantes?
As drogas antivirais disponíveis (oseltamivir e zanamivir), bem como a vacina podem ser seguramente utilizadas na gravidez.
6. Que alerta o senhor deixa para as gestantes, após a morte dessa grávida por complicações da gripe suína?
A população de uma maneira geral deve tomar todos os cuidados de profilaxia, desde a limpeza frequente das mãos até o emprego da vacina para influenza. Essas são as melhores medidas para enfrentar os possíveis problemas desta virose. Há que ser sempre lembrado que a gravidez aumenta em muito o risco de complicações.