Projeto Canguru do HGF humaniza tratamento de prematuros
18 de novembro de 2011 - 10:02
O carinho e o calor da mãe são os grandes aliados para o bom desenvolvimento de bebês prematuros no projeto Canguru
Desde Julho de 2011, o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) conta com um importante aliado no desenvolvimento e bem estar de bebês prematuros. Trata-se do “Projeto Canguru” – proposta que visa prestar assistência ao recém nascido através da construção de laços afetivos entre a família e o bebê.
Criado em 1979 na Colômbia e instituído no Brasil pelo Ministério da Saúde em 2000, o projeto Canguru é dividido em três fases, sendo a primeira delas iniciada ainda quando o bebê encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva (UTI Neo-natal) onde ganha condições de respiração sem ajuda de aparelhos.
No Hospital Geral de Fortaleza, HGF, a enfermaria destinada ao Projeto Canguru fica no 4º andar do prédio eletivo e conta com quatro leitos disponíveis. Esta é a segunda etapa do processo. Vencida a batalha da UTI Neo-Natal, os bebês que atingiram o peso mínimo de 1,3 Kg são autorizados pelo médico obstetra a serem transferidos para a enfermaria Canguru. Nessa etapa, as mães dos bebês passam 24 horas com seus filhos recém nascidos juntos, por meio de uma cinta especial, visando estreitar ainda mais a ligação entre mãe e filho. Durante as 24 horas de ligação, as mães retiram a cinta apenas para tomar banho e realizar necessidades básicas. A enfermaria foi cuidadosamente organizada para receber os bebês. Uma decoração bem alegre, cheia de cores, deixa o ambiente aconchegante. Além das mães, o projeto incentiva ainda a presença dos pais, que podem visitar a enfermaria a qualquer hora do dia.

A pequena Yasmin, com 13 dias de nascida, trocou o leito da UTI Neo-Natal pelo colo quentinho da mãe, Marcilene
Atualmente, a enfermaria conta com três mães e seus bebês prematuros sob cuidados. Marcilene Queiroz, de 29 anos, dona de casa vinda de Aracati na região leste do estado, vive a aventura de ser mãe pela primeira vez. Sua filha, a pequena Maria Yasmim, está atualmente com 12 dias de nascida. “Descobri no quinto mês de gestação que poderia ter minha filha de forma prematura”- conta Marcilene acrescentando que um quadro de pressão alta antecipou o nascimento de Yasmim, que nasceu na 33ª semana de gestação, quando o tempo considerado normal pelo Ministério da Saúde é de 37 semanas em diante. “Graças a Deus consegui ter minha filha aqui. O hospital e esse projeto me deram um suporte importantíssimo” conta.

A enfermeira Lícia Barbosa orienta Raquel, a mãe de Aurora, de 2 meses, que acaba de receber alta
A coordenadora de enfermagem do projeto Canguru no HGF, Licia Barbosa, explica que o Canguru tem obtido bons índices de ganho de peso nos bebês prematuros. “Eles chegam com 1,3 kg e saem em média daqui pesando 1,8 kg. Durante o contato direto com a mãe, eles chegam a ganhar 30 gramas de peso por dia. Até a alta, eles passam em média três semanas na enfermaria Canguru” – diz ela explicando ainda que após a liberação da enfermeira, os bebês entram na terceira e última fase do projeto que acontece no ambulatório Canguru. “Os bebês saem com todas as consultas marcadas e os pais se comprometem a trazer novamente o filho no prazo de 24 a 48 horas após a saída da enfermaria para que seja avaliada a adaptação dele ao meio externo” explica.
Além de Licia que atua como enfermeira, o projeto Canguru no HGF é coordenado pela médica neo-natologista Dilma Veras, e conta ainda com técnicos e auxiliares de enfermagem, juntamente com uma assistente social. O projeto é fruto de um convênio com o Ministério da Saúde que ofertou ao corpo de servidores do HGF todo treinamento para receber mães e bebês. Além disso, os servidores do setor são continuamente avaliados e passam periodicamente por cursos de reciclagem.
Para o chefe do Serviço de Obstetrícia do HGF, Francisco José Costa Eleutério, a ação do Projeto Canguru vem se somar a outras ações de humanização que já fazem parte da rotina do serviço de obstetrícia do HGF, que é certificado como Hospital Amigo da Criança, pelas práticas de incentivo à amamentação. Para ele, o projeto traz muitos benefícios para a mãe, que estreita os laços de afeto com o filho, e para o bebê, que troca o leito da UTI pelo colo quentinho e aconchegante da mãe, o que proporciona um desenvolvimento mais rápido com menos riscos de sequelas em decorrência da internação. O médico obstetra José Eleutério afirma ainda que a ideia é dobrar a capacidade de atendimento do Projeto Canguru ainda em 2012, passando de quatro para oito leitos, o que deve repercutir também financeiramente para o hospital, considerando que o custo de uma diária na UTI Neo-Natal é muito alto.
Mais informações:
Enfermaria Canguru do HGF – (85)3101-3276