Nova Unidade de AVC evita 300 mortes e reduz 400 incapacitações
3 de novembro de 2010 - 11:33
300 mortes evitadas e 400 pacientes livres de sequelas. Esse foi o balanço do primeiro ano de funcionamento da Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza, unidade da Secretaria da Saúde do Estado, divulgado nesta sexta-feira, 29 de outubro, Dia Mundial do AVC, pelo secretário da saúde do Estado e pelo diretor da Unidade, João José Carvalho. Inaugurada no dia 29 de outubro do ano passado, a Unidade de AVC atendeu 1.400 pacientes nos últimos 12 meses. “Foram assistidos com equidade, tendo acesso ao tratamento trombolítico e ainda a exames modernos, como a tomografia realizada pelo multi-slice em apenas cinco segundos enquanto os tomógrafos menos modernos fazem o exame em 20 minutos”, afirmou o diretor da Unidade, João José Carvalho. Segundo ele, a média de mortes dos pacientes com AVC atendidos no HGF é de 3,2%. Bem menor do que a média dos outros hospitais, que é de 24%.
O secretário da saúde do Estado, Arruda Bastos, destacou que o Ceará é o único Estado do país a ter um programa de AVC aprovado pelo Conselho Estadual de Saúde. O Programa de Atenção Integral e Integrada ao AVC no Estado do Ceará inclui, além da Unidade de AVC do HGF, o estudo epidemiológico feito em 19 hospitais da capital e também o sistema de notificação compulsória da doença. Arruda Bastos informou que a estrutura de assistência aos pacientes será ampla e de qualidade, com nove policlínicas, em construção, oferecendo exame de tomografia, e a com a universalização do SAMU. O serviço 192 será ampliado para todas as regiões do Estado, facilitando e qualificando o transporte dos pacientes até o hospital.
De acordo com o estudo, revelado nesta sexta-feira, a média de idade das pessoas acometidas por AVC na capital é de 57 anos enquanto a média de idade da Europa é de 70 anos. Outro dado preocupante do estudo feito em 19 hospitais da rede pública e privada no capital é o fato de que 42% dos pacientes atendidos nesses hospitais já haviam sofrido outro AVC. Nos fatores de risco, o percentual de hipertensão chama a atenção: 88% das pessoas que foram atendidas nos 19 hospitais tinham pressão alta.
O nível de escolaridade também foi observado no estudo. A maioria, 54% dos pacientes com AVC tinham apenas o ensino fundamental e 20% analfabetos. Quanto maior o grau de escolaridade menor o percentual de AVC: 6% dos pacientes informaram ter nível superior e 1% pós-graduação. “É preciso informar, educar, mobilizar ainda mais a população para mudança de hábitos e de controle dos fatores de risco, coma a hipertensão”, observa o secretário Arruda Bastos. Conforme alerta o neurologista João José Carvalho é preciso ficar atento aos sintomas da doença, como dor de cabeça súbita ou atípica, dificuldade em enxergar, falar, caminhar. O AVC é a principal causa de mortes no Ceará e também de incapacitações. Segundo o neurologista, 70% das pessoas que sofrem AVC não retornam ao mercado de trabalho.
Um dia dedicado ao cuidador
Enquanto os números eram anunciados na Secretaria da Saúde, a festa de um ano da Unidade de AVC acontecia no Hospital Geral de Fortaleza, HGF. A alegria contagiou a todos que chegavam pra prestigiar a festa, animada pela equipe de enfermagem que trocou o tradicional branco por roupas coloridas e alegres. A líder do grupo era a Emília, fantasia escolhida pela chefe de enfermagem da Unidade, Aparecida Rocha. Após um café da manhã na unidade, com a participação de profissionais de saúde, pacientes, familiares e profissionais da imprensa que compareceram para cobrir o evento, a equipe de enfermagem da Unidade convidou a todos para irem ao auditório principal, onde se realizou o I Encontro de Cuidadores.


Profissionais de saúde atentos às orientações; à direita, a chefe de Enfermagem Aparecida Rocha retoca a maquiagem da Emília.

O chefe da U-AVC em entrevista aos jornais Diário do Nordeste e O Povo
Um momento dedicado ao público em geral, mas em especial aos familiares de pacientes que sofreram AVC. A médica neurologista especialista em AVC, Débora Diniz, abriu a programação, que contou ainda com profissionais de enfermagem, fisioterapeutas e fonoaudiólogas, que deram orientações de como cuidar do paciente após a alta hospitalar. Entre outras coisas, foi ensinado como oferecer alimentos ao paciente com dificuldade para engolir(deglutição) e como levantar e deitar o paciente com dificuldade de locomoção.
Do lado de fora, foi servido um cardápio saudável de frutas tropicais. Uma mesa colorida com caju, mamão, melancia e uvas. Ao fim do encontro, ficou uma certeza. A informação é essencial para evitar o AVC e suas sequelas. E pensando nisso, um próximo encontro de cuidadores já está sendo planejado.